O QUE ESPERAR DE 2022 PARA O SUPPLY CHAIN DO SETOR DA SAÚDE NO BRASIL?
3 de jan 2022O QUE ESPERAR DE 2022 PARA O SUPPLY CHAIN DO SETOR DA SAÚDE NO BRASIL?
Escrito por: Gustavo Galvão
Nos painéis e debates que tenho participado as perguntas que mais recebo são as relacionadas ao cenário 2022. Será o ano da virada pós pandemia? Como ficam os investimentos neste cenário de incertezas e de eleição? O que esperar de 2022? A verdade é que hoje temos muito mais perguntas do que respostas, entretanto, de acordo com minha análise o ano de 2022 será o último da trilogia COVID-19 (anos 2020, 2021 e 2022).
Em 2020 entramos no ringue muito confiantes que teríamos uma boa luta, mas na verdade fomos à lona logo no primeiro round e nem anotamos a placa do caminhão! A pandemia nos tirou da zona de conforto e nos fez buscar novas opções, pensar fora da caixa, desafiar o nosso “status quo”. O ano de 2021 em geral foi de muitos estudos e projetos. Nós da Stark aproveitamos o momento para revisitar a nossa estratégia, ajustar o nosso curso, e ganhar musculatura. Acredito que esse momento de “5S organizacional” foi importante para muitas empresas que seguiram o mesmo caminho. Assim, o ano de 2022 será importante para colocar em ação os que planejamos, para em 2023 colhermos o que foi plantado.
Esse período em que ficamos de cabeça para baixo nos ajudou a ver as coisas sob um novo prisma, e isso deverá nortear as estratégias que ajudarão a escrever o novo livro que se iniciará em 2023. Como 4PL nós conversamos e escutamos muito o mercado e seus “players”. É uníssono o pedido por novas tecnologias, novas soluções, novos posicionamentos referentes ao Supply Chain da área da saúde. Um dos principais desafios é entender qual a cara do novo mercado para assim definir qual caminho. Muito se tem falado sobre os benefícios da telemedicina, prontuário e receituário eletrônicos, homecare, e-commerce, etc. Certamente essas são tendencias de mercado e muitas log-techs e med-techs tem surgido como promessas de uma realidade totalmente diferente do que experimentamos até o momento. Quanto disso é euforia de mercado e quanto é realidade? Qual o “timing” de cada solução? Temos visto empresas anunciando pilotos com drones e outras tecnologias, mas o quanto disso é implementável? Quem conseguir responder a essas perguntas terá um belo caminho a explorar. No nosso caso desenhamos cenários diferentes para cada subsetor da área da saúde pois acreditamos que eles seguirão por caminhos independentes.
Outro tema importante em 2022 é como se comportarão os projetos de M&A. Nós da Stark crescemos muito nestes dois primeiros anos e agora estamos analisando opções de “funding” para suportar o nosso crescimento não só no Brasil, mas também em outros países da América Latina. Isso me levou a inúmeras conversas com o nosso conselho e com fundos brasileiros, americanos e europeus. A tendencia no setor de Supply Chain é de não haverem grandes movimentos em 2022, a grande maioria deve focar em integrar e ajustar as aquisições passadas. Por outro lado, o mercado latino-americano está barato para quem tem dólares e euros. Vejo principalmente fundos europeus se movimentando nesse sentido A previsão é de que, ao longo do próximo ano, teremos muitas notícias de operações de fundos de investimentos. Então este é um movimento anunciado e confirmado para o ano que vem? Quanto vem por aí?
A resposta é sim, mas o tamanho do investimento dependerá de alguns fatores importantes:
- Cenário político brasileiro: 2022 será um ano de eleição para presidente. As pesquisas apontam novamente para uma polarização entre direita e esquerda, ou seja, mais do mesmo. Há uma possibilidade de formação de uma terceira via forte, entretanto caso não consigam se mobilizar a tempo dificilmente terão chances.
- Cenário macroeconômico: aparentemente as promessas de reformas administrativas, fiscal e política se perderão nas palavras proferidas e não realizadas. Variação cambial instável, desemprego e inflação em alta, gastos altos do governo, balança comercial desfavorável etc. trazem uma insegurança muito grande ao investidor estrangeiro. Enquanto a insegurança política e econômica existirem, os investimentos possivelmente serão congelados ou realizados em menor escala.
- Oportunidades: nesse quesito eu acredito que a região está bem. No Brasil o mercado da indústria da saúde estimado em quase R$200bi ainda traz boas oportunidades. O crescimento que vinha na casa dos dois dígitos está estimado em crescer somente um dígito até 2025, mas tudo pode melhorar em 2023 dependendo do resultado da eleição presidencial e de como nos prepararemos em 2022. Deste crescimento não esperamos grandes projetos de terceirização e o repasse inflacionário nas tabelas de preços será um grande desafio. Assim sendo acreditamos que o crescimento se dará pelo aumento de volume trazidos pelo crescimento puramente orgânico.
Estes fatores me levam a acreditar que o investimento não cessará, mas será mais lento no primeiro semestre, retomando o ritmo ao longo do segundo semestre. Do nosso lado nós seguiremos fortes apostando em tecnologia e estrutura. Como disse anteriormente o momento de investir e no que investir são pontos críticos e por isso já iniciamos mais uma rodada de conversas com os players deste segmento para entender como estão se posicionando. Pretendemos finalizar esse trabalho em janeiro.
Para concluir eu vejo no cenário de 2022 uma concorrência saudável muito interessante no mercado de Supply Chain do setor da saúde. Novos entrantes mostrando a cara, fundos de investimentos saindo às compras, transportadoras ganhando mais espaço como operadores, operadores de grande porte buscando se diferenciar para não virar “empresa de commodity” e distribuidores ganhando “footprint”, oferecendo custos baixos de operação, muitas vezes suportadas por uma política eficiente de venda de produtos. Por outro lado, vejo a tendencia de operações B2C avançando a passos mais lentos.
A Stark-4PL como integrador logístico está e sempre estará atenta aos movimentos do mercado para atuar de maneira neutra e melhorar a vida do paciente final, através das nossas operações integradoras e inovadoras. Preparem-se para um 2022 de plantio para terem um 2023 de boa colheita. Um bom ano para todos!